Design que ultrapassa fronteiras

Em cada país existem culturas e detalhes que surpreendem. Em se tratando de design de interiores e arquitetura, são tendências, cores e traços que proporcionam descobertas inovadoras. Foi pensando nisso que o arquiteto italiano e curador Nicola Goretti desenvolveu, em parceria com o CasaPark, o projeto Design pelo Mundo, que reúne panoramas diversificados de tudo o que há de novo no segmento, pelos quatro cantos do planeta, diante de uma perspectiva profissional. Um prato cheio para quem deseja acompanhar as novidades da área em primeira mão. Depois do Salão Internacional de Milão, as próximas paradas serão a Design Week e a Bienal de Veneza.

 

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NENDO EM NARA

O primeiro projeto para um espaço público desenhado pela companhia de design Nendo acaba de ser inaugurado na pequena cidade de Tenri, na prefeitura da cidade de Nara, no Japão. Construções abertas e fechadas foram pensadas para revitalizar a área, próxima à estação de trem da cidade, e dessa forma atrair habitantes e turistas à região, pensando espaços para lazer e jogos, quiosques informativos, espaços de recepção e biblioteca, entre outros.

Os designers inspiram-se na forma caraterística dos túmulos antigos próprios da cidade de Ternri, o Kofun, de formas circulares e maciças, convidando os visitantes a permanecer ou percorrer de maneira dinâmica o lugar. Os tetos se transformam em espaços para comer, pular ou assistir espetáculos, e os espaços interiores adquirem caraterísticas mutantes para se adaptar aos diferentes usos.
Nendo também é responsável pelo design do mobiliário.

MAD EM MIAMI

Mobiliário excêntrico recoberto com uma pela de fina textura que reflete as luzes e o espaço circundante é a nova criação de MAD Arquitetos, para uma mostra na Galeria ALL de Miami.

A coleção apresenta 5 estranhos objetos de visual extraterrestre, uma mesa, uma chaise longue, um console, um candelabro e uma luminária de teto. Estranhas imagens de territórios perdidos ou estéticas dos anos 60, reinterpretadas com linguagem futurista pelo criador do grupo, o chinês Ma Yansong, é o resultado de dois anos de pesquisa e desenvolvimento do produto.

A coleção MAD Martian (Marcianos MAD) se pergunta, no percurso da mostra, o que aconteceria com os humanos se tivessem que se mudar para Marte. Aqui aparecem várias questões como a memória e a saudade da Terra e o amor pelo novo lar, entre outras perguntas.

MAR EM ROMA

Fotografia e desenho é o suporte que a ilustradora madrilenha Mar Hernández apresenta em Roma, na White Noise Gallery de Roma, a partir do dia 15 de junho de 2017.

Antigos e modernos mobiliários são traçados com canetas e bico de pena sobre regiões e arquiteturas arrasadas e abandonadas, imagens cotidianas que costumamos ver na televisão e nas nossas próprias cidades. Aqui, os limites sutis entre destruição e reconstrução se projetam como numa cena teatral, trágica e devastadora, tentando trazer, por momentos, paz e reconforto nos espaços interiores.

Desenhos que vibram como miragens e a busca de identidades perdidas ressumem a poética da ilustradora, tentando dar um novo valor às transformações humanas, seus espaços e territórios.

Vito Nesta A MONTANHA MÁGICA

Para a empresa de design de interiores Devon&Devon, o designer Vito Nesta criou uma surpreendente coleção de papel de parede para a semana de design de Milão, em abril deste ano.

Efeitos 3D e cenários oníricos e melancólicas, composições Art-deco e paisagens naturais ou florestas encantadas formam uma coleção de vanguarda, nao somente pela qualidade artística das peças mas também pela avançada tecnologia na confecção do produto.

Uma estranha capacidade de misturar memoria e inovação, Vito Nesta se submerge no design das culturas milenárias da China e do Japão, revisitando a iconografia e o imaginário oriental já presente na Europa no Século XVII. Contos e fábulas, historias de viajantes e comerciantes da seda, e o intercambio comercial e cultural da época evocados magicamente, para os interiores contemporâneos.

Treasures from the Wreck of the Unbelievable Damien Hirst

L’enfant terrible da Arte contemporânea, este britânico nascido em 1965, reaparece numa impactante e opulenta mostra em dois dos cenários arquitetônicos mais bonitos de Veneza, Palazzo Grassi e Ponta dela Dogana, ao longo de 5.000 metros de percurso expositivo.

Hirst sabe comunicar com veemência e certeza os fantasmas que envolvem o pensamento atual da arte. Dez anos de preparação e quatro meses de instalação para colocar restos de gigantes e medusas que parecem ter saído do fundo do mar, e um repertório de estatuas e peças da antiguidade em estado avançado de deterioração.

Um manifesto de tesouros guardados no imaginário do autor, que conta a história do antigo naufrágio da nave “Unbelievable” (Apistos, o nome em grego antigo) y seu fantástico e delirante carregamento.

Bienal de arte de Veneza VIVA ARTE VIVA

Qual é o papel que a Arte Contemporânea pode assumir, hoje? Tal vez esta resposta possa se encontrada ao visitar a Bienal de Veneza deste ano, aberta desde maio até finais de novembro de 2017.

VIVA ARTE VIVA, curada pela francesa Christine Macel, pensa em um novo conceito de Humanismo que ajude a encontrar uma diferente forma de convivência e relação entre as pessoas e a sociedade. Uma Bienal “com os artistas, dos artistas e para os artistas”, como ela mesmo faz questão de esclarecer. O ponto, segundo Christine, é “a Arte de hoje em relação aos conflitos do mundo, que testemunha a parte mais preciosa da humanidade”, sobretudo em um momento onde o humanismo é colocado em risco.

A Arte precisa voltar a ser accessível e entendível para todos, revalorizando “os valores propriamente terrenos da humanidade”, e colocando as questões dos conflitos do mundo em primeiro plano. A Arte nao somente como uma ferramenta da provocação e ruptura, sino um espaço vibrante para contar e inventar histórias. Imperdível!