Design que ultrapassa fronteiras

Em cada país existem culturas e detalhes que surpreendem. Em se tratando de design de interiores e arquitetura, são tendências, cores e traços que proporcionam descobertas inovadoras. Foi pensando nisso que o arquiteto italiano e curador Nicola Goretti desenvolveu, em parceria com o CasaPark, o projeto Design pelo Mundo, que reúne panoramas diversificados de tudo o que há de novo no segmento, pelos quatro cantos do planeta, diante de uma perspectiva profissional. Um prato cheio para quem deseja acompanhar as novidades da área em primeira mão. Depois do Salão Internacional de Milão, as próximas paradas serão a Design Week e a Bienal de Veneza.

 

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VANESSA BEECROFT EM UFFIZI

O fabuloso salão Niobe no segundo andar da Galleria Degli Ufizzi em Florença é o espaço escolhido para uma nova experiência da artista italiana residente nos EUA, Vanessa Beecroft.

VB84 é uma performance que faz parte do ambicioso programa artístico do Museu, realizada durante a décima edição de “Firenze Suona Contemporanea 2017”, um projeto em parceria com outros dois importantes centros de cultura da cidade, Palazzo Strozzi e o “Centro per l`Arte Contemporanea Luigi Pecci”.

A grande sala abriga doze estátuas romanas trazidas à Florença em 1770. Nesse contexto, e como se tratasse de verdadeiros “tableaux vivants”, vinte modelos recobertas unicamente com véus dão vida à performance sobre a beleza e a nudez feminina.

Foto divulgação

LACHAPELLE LOST+FOUND

Transgressor e provocativo o estilo marcante do grande fotógrafo David LaChapelle na sua última mostra em Veneza.

No maravilhoso espaço da “Casa dei Tre Occi” na Giudecca, o artista-fotógrafo continua trabalhando com o mundo da publicidade e da Pop Art, trazendo figuras icônicas da contemporaneidade, como Andy Warhol, David Bowie, Michael Jackson e Madonna, entre outras.

Foi justamente Andy Warhol quem ofereceu ao fotógrafo sua primeira encomenda profissional para a revista americana Interview, marcando profundamente desta forma sua carreira.

O ano de 2006 foi fundamental para LaChapelle quando visitou a Capela Sistina no Vaticano, analisando a obra de Michelangelo. A partir dessa data, novas coleções e obras foram desenvolvidas com temas específicos, como The Deluge em 2007, além de After the Deluge, Awakened e Land Scapes, entre outras.

A exposição curada por Reiner Opoku e Denis Curti desenha um fio condutor da carreira do fotógrafo, desde as obras em branco e preto dos primeiros anos noventa até os trabalhos de cores fortes e personagens icônicos que tem dado reconhecimento mundial da crítica.

A mostra veneziana permanecerá aberta até finais de setembro de 2017, com previsão de novas itinerâncias por outros países europeus durante o próximo ano.


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VIVA ARTE VIVA BIENAL DE ARTE DE VENEZA

Entre as manifestações de arte contemporânea mais importantes, a Bienal de Veneza celebra sua 57ª edição, entre curiosos, adeptos e críticos. Sua curadora, a francesa Christine Macel, explica que a arte permanece como uma das demonstrações mais preciosas da humanidade, um espaço de reflexão e uma alternativa verdadeira contra o individualismo e a insensibilidade proveniente da indiferença entre os seres. Pretende, desta forma, comunicar de maneira viva e expressiva um espaço consciente para os artistas, como pensam e as formas que propõem, indagar suas práticas e os interrogantes para o futuro.

Uma Bienal sem tema central nem especificidade inicial que possa conduzir o visitante numa única linha de pensamento. A curadora estabelece um percurso onde as descobertas podem ser alcançadas de maneira errática, como se tratasse de um ambulante em procura do lugar desconhecido. Uma reflexão sobre a sociedade atual, sobre os conflitos do mundo e sobre os recintos a serem reinventados.

Incorpora uma malha temática de “Trans-pavilhões” fundada na obra dos artistas, gerando alguns pontos de partida para o visitante, mas sem uma separação semântica entre eles. Os espaços da Bienal são “I Giardini” e o “Arsenale”, com a participação de 120 artistas, 86 participações nacionais e 23 eventos colaterais específicos da Bienal, além de outras mostras e exposições em diversos locais da cidade.

Para quem consiga ainda visitar, a Bienal permanecerá aberta até o dia 26 de novembro deste ano.

PALESTRA: Para todos aqueles que pretendam conhecer as obras e os artistas do evento, poderão assistir a palestra sobre a Bienal de Veneza programada para o dia 18 de Outubro no CasaPark de Brasília.


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CUCINELLA EM BOLONHA

O desastre provocado pelo terremoto em algumas regiões italianas durante o ano de 2012 abriu a discussão sobre a linguagem e o alcance de novas arquiteturas para um território devastado. Foi claro que deveria ser criado uma plataforma de ideias para o cidadão, convidando jovens profissionais interessados em mudar a própria realidade e através de projetos que incentivassem a criatividade e qualidade de vida.

Com um fundo de solidariedade disponível poucos meses apos o terremoto, foram propostos 5 projetos fundamentais para a região, entre os quais a Casa da Música no pequeno povoado de Pieve di Cento, perto da cidade de Bolonha na região de Emília-Romanha. Uma arquitetura de grande qualidade que dialogo com a paisagem e que promove segurança ambiental e sísmica numa terra que sofre este tipo de fenômenos.

A obra, desenhada pelo escritório Mario Cucinella Architects, contempla 9 pequenos laboratórios de forma circular para a experimentação e aprendizado da música, com caraterísticas técnicas e acústicas de vanguarda e o cuidado pelo meio-ambiente.
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INTERIORES EM BAMBU

Um escritório interdisciplinar chinês acaba de desenhar uma série de fantásticos interiores para uma empresa especializada em integração digital. Os arquitetos do Cui Shu Studio tem utilizado o Bambu gigante como fonte de inspiração para a construção de uma escada que une espaços de diferentes funções e caraterísticas.

A empresa Elephant Parade tinha dificuldade em relacionar os diversos usos espaciais por meio de um único elemento, que interpretasse a qualidade funcional e arquitetônica dos ambientes. Espaços pequenos com sensação de privacidade deveriam ser atravessados por outros maiores, públicos e fortemente transitados.

Desta forma, os arquitetos pensaram um único meio de união, que atravessa os principais setores e quebra, de alguma maneira, a estrutura formal das salas. O uso do Bambu na escada e em outros setores representa o sistema antigo de construção da arquitetura asiática, conformando-se no material predominante do projeto, incorporando uma linguagem fluida e natural que estimula a sensação de movimento ao longo dos percursos internos.
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MAD EM CALIFÓRNIA

Um novo projeto do escritório MAD no oeste dos EUA traz imagens de inspiração científica para a criação de um novo Campus para a empresa Faraday (FF), encarregada da produção de um carro elétrico de aceleração mais rápida do mundo.

O Campus, localizado numa antiga base na marinha, no norte da Califórnia, será o espaço encarregado de traduzir e mostrar os resultados das pesquisa da inovadora empresa, além de apoiar projetos de interesse público como a renovação do território e ações de promoção e melhoria ecológica da região.
O campus FF Zeus é uma área de 130.000 m2, dos quais 20.000 m2 serão construídos com arquiteturas que evocam objetos e infraestruturas de imaginário extraterreste desafiando os avanços tecnológicos do mercado automobilístico atual.

O centro de experiência para os usuários será o espaço central do prédio futurista, para que os clientes possam conhecer os carros num espaço acondicionado especialmente para uma vivência extravagante.
Um trilho elevado conectará vários setores do edifício passando por espaços em dupla altura ou por estruturas vazadas que mostram uma paisagem arquitetônica orgânica e vibrante.

O sistema de fachada terá painéis de vidro que se adaptam às circunstâncias climáticas, permitindo a adaptação da luz solar segundo a hora do dia, com uma ventilação natural constante.
Telhados revestidos com painéis de energia solar e uma torre operacional panorâmica equipada com geradores de energia eólica complementam este formidável projeto.

Localização: Ilha Mare, Califórnia, EUA Tipologia: Parque Industrial high-tech Área: 130,000 m2 Diretores do projeto: Ma Yansong, Dang Gun, Yosuke Hayano

REEBOK ESPACIAL

Uma bota fabricada com materiais ultraleves e de alta tecnologia é o novo objeto do desejo, produzida pela empresa americana conhecida por seus desenhos inovadores e de vanguarda. Projetada por especialistas em equipamento Aeroespaciais da Companhia David Clark, responsáveis também pelos trajes espaciais para os astronautas.

A bota, com um design ergonômico flexível, está fabricada com uma espuma de Floatride dando mobilidade extrema, resistência e amortecimento leve à sola. A parte da bota que forma a estrutura mais rígida está formada por um polímero resistente ao fogo denominado Nomex com uma malha flexível também no seu interior.

Este invenções, pensados inicialmente para um uso espacial, tinham o couro como componente principal da peça, mas que em definitiva não outorgava uma verdadeira tecnologia de ponta para uma adequada mobilidade. Hoje, com a incorporação dos novos materiais, permitem um uso amplo e domestico, revolucionando o conceito do calçado do futuro.
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WANDERS PARA KLM

Uma nova proposta de serviço de mesa para a companhia aérea holandesa KLM acaba de ser apresentada pelo designer Marcel Wanders, para a classe Business.
A coleção esta composta por copos, talheres, cerâmicas, toalha de mesa e uma bandeja, trazendo uma nova experiência para os passageiros que utilizem essa classe durante o voo.

O objetivo para o designer foi entender o que oferecer a mais num serviço já sofisticado para esse tipo de clientes. Associar qualidade nos serviços e nos objetos utilizados a través do design de excelência e que seja comparável aos melhores standards de restaurantes. Objetos ergonômicos, com caraterísticas técnicas específicas para um melhor uso e logística dentro dos espaços reduzidos nas cabines.

A empresa holandesa também esta preocupada com a emissão do CO2, reduzindo o impacto ambiental em relação à qualidade e tipologias dos produtos a serem utilizados durante os voos.

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BERNA EM SÃO PAULO

O Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo recebe uma magnífica exposição da artista performática Berna Reale, uma dos personagens mais interessantes da arte brasileira atual.
Berna estudou na Universidade Federal do Pará, em Belém, e tornou-se perita criminal do Centro de Perícias Científicas do Estado do Pará.

Suas instalações envolvem o próprio corpo da artista, focadas nos temas sobre a violência e sobre as questões do contemporâneo. A simbiose entre arte e perícia criminal lhe permitiu criar por mais de 20 anos obras a partir da fotografia e da instalação, sendo uma das representantes brasileiras na Bienal de Veneza de 2015, entre tantas outras mostras internacionais.

O trabalho de Berna Reale carece de linguagem sofisticada, com uma comunicação rústica e de forte impacto, como ela mesma falou numa recente entrevista: “Eu fico muito mais feliz se tiver gente comum vendo meu trabalho. Não faço a mínima questão de o meu trabalho ser intelectualizado, dele falar de algo com códigos extremamente sofisticados ou específicos que só uma parte da sociedade entende”.
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Fonte entrevista: Jornal El País
Fotografia 01. Crédito: “Fotografia Edouard Fraipont”

KI TOH

No ingresso oriental da capital equatoriana acabou de ser construída uma grande instalação urbana, uma escultura que serve como portal de entrada para quem visita Quito. Com uma linguagem brutal e concreta, representa a renovação urbana da capital, além de ser um instrumento simbólico da tradição andina; um relógio solar para marcar a medição do tempo real, seus equinócios e solstícios.

O projeto do arquiteto Fernando Rivera Salvador funciona como um novo elemento emblemático para a população da cidade, reforçando a sabedoria da cultura andina milenar.

“Ki Toh Sol Recto” (Quito Sol Reto) tem uma altura de 25m, permanecendo suspenso a 3,5m da terra pelos tirantes de aço que suportam o peso da escultura, umas 7,5 toneladas aproximadamente.
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ROSS NO POMPIDOU

O genial designer inglês Ross Lovegrove traz suas criações orgânicas e fantásticas a um dos museus de Arte contemporânea mais importantes da capital francesa.

O Centro Pompidou celebra os 40 anos de abertura ao público com uma completa e estranha mostra sobre as peças do artista inglês, originário de Galles.

Objetos que derivam das mais complexas formas encontradas na natureza fazem parte de uma série de acontecimentos culturais do Centro Pompidou, o projeto denominado “Mutations - Creations” (Mutações - Criações) pensado como um vasto território de encontros entre Arte, ciência e inovação, e as tecnologias digitais como ferramenta de projetação criativa e eficaz.

Lovegrove enriquece esse olhar humanista com a incorporação convergente da mãe natureza, junto às disciplinas como a biologia, a antropologia, a física e a ecologia, entre outras.
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ZAHA

Desde o falecimento de Zaha Hadid, têm-se programado uma série de mostras e exposições sobre a obra desta fabulosa arquiteta, desde as primeiras maquetes e desenhos apresentados há anos atrás em várias cidades européias, até as representações mais ousadas em formatos de “Renderings” e 3D dos últimos projetos.

Um seleto grupo de instituições e centros de cultura estão ansiosos para fazer parte dessa itinerância global, única pelo tipo de material escolhido e pela diversidade de temas, dos quais o Studio e a Fundação Zaha Hadid são os proprietários.

O prédio da Serpentine Sackler Gallery em Kensington Gardens, o mesmo que Zaha fez o projeto de ampliação, foi a nova sede da mostra que finalizou em fevereiro deste ano, e que percorrerá outras capitais. Londres possui algumas galerias que promovem a obra da arquiteta nascida em Bagdá em 1950. Entre elas, a David Gill Gallery, que vende as últimas criações, entre mobiliário e pequenas peças de joalharia.

Abaixo algumas das imagens de exposições e obras que têm encantado o mundo pela sua genialidade.
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CRIATURA EM STUTTGART

Um pavilhão robótico baseado na forma de conchas do ouriço do mar é o novo sky-line de Stuttgart, a maior cidade do estado de Baden-Württemberg na Alemanha.
Resultado de uma longa pesquisa realizada pelos estudantes da Universidade desta cidade, o prédio, com estrutura em madeira compensada laminada, se baseia numa singular figura geométrica que se repete na estrutura da cobertura.

O pavilhão forma parte de uma série anual desse tipo de construções produzida sob a liderança de Achim Menges, com o apoio do Instituto de Design Computacional (ICD) da escola e Jan Knippers do Instituto de Estruturas de Construção e Estruturas Design (ITKE).

O objetivo é expor o potencial que os processos computacionais têm na criação e fabricação desses elementos urbanos espalhados pela cidade, construídos a partir da utilização de elementos moldados e costurados industrialmente. Os processos de costura e fabricação foram realizados por um robô, sendo o primeiro de seu tipo em empregar a costura industrial de elementos de madeira em uma escala arquitetônica.

A escola vem utilizando estudos de pesquisa sobre ouriços-do-mar para desenvolver diversos métodos de construção de placas de madeira e a utilização de máquinas de costura para encaixar as peças e evitar que as camadas de laminado se separem.
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NENDO EM NARA

O primeiro projeto para um espaço público desenhado pela companhia de design Nendo acaba de ser inaugurado na pequena cidade de Tenri, na prefeitura da cidade de Nara, no Japão. Construções abertas e fechadas foram pensadas para revitalizar a área, próxima à estação de trem da cidade, e dessa forma atrair habitantes e turistas à região, pensando espaços para lazer e jogos, quiosques informativos, espaços de recepção e biblioteca, entre outros.

Os designers inspiram-se na forma caraterística dos túmulos antigos próprios da cidade de Ternri, o Kofun, de formas circulares e maciças, convidando os visitantes a permanecer ou percorrer de maneira dinâmica o lugar. Os tetos se transformam em espaços para comer, pular ou assistir espetáculos, e os espaços interiores adquirem caraterísticas mutantes para se adaptar aos diferentes usos.
Nendo também é responsável pelo design do mobiliário.

MAD EM MIAMI

Mobiliário excêntrico recoberto com uma pela de fina textura que reflete as luzes e o espaço circundante é a nova criação de MAD Arquitetos, para uma mostra na Galeria ALL de Miami.

A coleção apresenta 5 estranhos objetos de visual extraterrestre, uma mesa, uma chaise longue, um console, um candelabro e uma luminária de teto. Estranhas imagens de territórios perdidos ou estéticas dos anos 60, reinterpretadas com linguagem futurista pelo criador do grupo, o chinês Ma Yansong, é o resultado de dois anos de pesquisa e desenvolvimento do produto.

A coleção MAD Martian (Marcianos MAD) se pergunta, no percurso da mostra, o que aconteceria com os humanos se tivessem que se mudar para Marte. Aqui aparecem várias questões como a memória e a saudade da Terra e o amor pelo novo lar, entre outras perguntas.

MAR EM ROMA

Fotografia e desenho é o suporte que a ilustradora madrilenha Mar Hernández apresenta em Roma, na White Noise Gallery de Roma, a partir do dia 15 de junho de 2017.

Antigos e modernos mobiliários são traçados com canetas e bico de pena sobre regiões e arquiteturas arrasadas e abandonadas, imagens cotidianas que costumamos ver na televisão e nas nossas próprias cidades. Aqui, os limites sutis entre destruição e reconstrução se projetam como numa cena teatral, trágica e devastadora, tentando trazer, por momentos, paz e reconforto nos espaços interiores.

Desenhos que vibram como miragens e a busca de identidades perdidas ressumem a poética da ilustradora, tentando dar um novo valor às transformações humanas, seus espaços e territórios.

Vito Nesta A MONTANHA MÁGICA

Para a empresa de design de interiores Devon&Devon, o designer Vito Nesta criou uma surpreendente coleção de papel de parede para a semana de design de Milão, em abril deste ano.

Efeitos 3D e cenários oníricos e melancólicas, composições Art-deco e paisagens naturais ou florestas encantadas formam uma coleção de vanguarda, nao somente pela qualidade artística das peças mas também pela avançada tecnologia na confecção do produto.

Uma estranha capacidade de misturar memoria e inovação, Vito Nesta se submerge no design das culturas milenárias da China e do Japão, revisitando a iconografia e o imaginário oriental já presente na Europa no Século XVII. Contos e fábulas, historias de viajantes e comerciantes da seda, e o intercambio comercial e cultural da época evocados magicamente, para os interiores contemporâneos.

Treasures from the Wreck of the Unbelievable Damien Hirst

L’enfant terrible da Arte contemporânea, este britânico nascido em 1965, reaparece numa impactante e opulenta mostra em dois dos cenários arquitetônicos mais bonitos de Veneza, Palazzo Grassi e Ponta dela Dogana, ao longo de 5.000 metros de percurso expositivo.

Hirst sabe comunicar com veemência e certeza os fantasmas que envolvem o pensamento atual da arte. Dez anos de preparação e quatro meses de instalação para colocar restos de gigantes e medusas que parecem ter saído do fundo do mar, e um repertório de estatuas e peças da antiguidade em estado avançado de deterioração.

Um manifesto de tesouros guardados no imaginário do autor, que conta a história do antigo naufrágio da nave “Unbelievable” (Apistos, o nome em grego antigo) y seu fantástico e delirante carregamento.

Bienal de arte de Veneza VIVA ARTE VIVA

Qual é o papel que a Arte Contemporânea pode assumir, hoje? Tal vez esta resposta possa se encontrada ao visitar a Bienal de Veneza deste ano, aberta desde maio até finais de novembro de 2017.

VIVA ARTE VIVA, curada pela francesa Christine Macel, pensa em um novo conceito de Humanismo que ajude a encontrar uma diferente forma de convivência e relação entre as pessoas e a sociedade. Uma Bienal “com os artistas, dos artistas e para os artistas”, como ela mesmo faz questão de esclarecer. O ponto, segundo Christine, é “a Arte de hoje em relação aos conflitos do mundo, que testemunha a parte mais preciosa da humanidade”, sobretudo em um momento onde o humanismo é colocado em risco.

A Arte precisa voltar a ser accessível e entendível para todos, revalorizando “os valores propriamente terrenos da humanidade”, e colocando as questões dos conflitos do mundo em primeiro plano. A Arte nao somente como uma ferramenta da provocação e ruptura, sino um espaço vibrante para contar e inventar histórias. Imperdível!